Nas cobranças de falta, a espuma serve para demarcar a distância regulamentar de 9,15 m/Foto: Douglas Magno

Por Thiago Nogueira

Inventor do spray usado pelos árbitros para demarcação das barreiras no futebol, o mineiro Heine Allemagne, 46, cobra reconhecimento da Fifa e uma indenização de R$ 110 milhões da entidade pelo produto, aprovado em congresso da International Football Association Board (Ifab), em 2012, e que já é equipamento comum nas principais competições do planeta, inclusive na Copa do Mundo – estreou no Brasil, em 2014.

Allemagne é dono de patentes no Brasil – registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 2010 – e também em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e Suíça. Mas, diante das negativas após visitas, tentativas de diálogo e o “pouco caso” para com seu invento, ele resolveu enviar à entidade e às confederações, no último dia 18 de julho, uma notificação que requer a suspensão do uso da tecnologia em todos os torneios.

Em resposta a Allemagne, a Fifa, por meio de um escritório de advocacia alemão, considerou a carta sem fundamentos. “Pedimos que o senhor pare com essas alegações imediatamente”, ameaçou o documento. O inventor, agora, estuda medidas judiciais. “Como sou um só, estou me preparando. Sei como eles jogam”, ressaltou. “Tenho uma estratégia para esse gigante vir abaixo. Tenho certeza que todo império cai. A mentira não perde para a verdade”, reforçou.

Enquanto não tem sua invenção reconhecida, outras empresas têm vendido ou cedido a espuma a título de propaganda em algumas competições, como aconteceu na Copa Centenário de 2016. “Imagine que eu queira vender um spray a US$ 5 (R$ 15) e vem a maior empresa de pintura no mundo e, além de dar o spray, paga para associar o nome ao produto e dizer que é o dono. Isso é falsidade ideológica”, ressaltou. A empresa em questão é a PPG Comex, com matriz nos Estados Unidos.

Contraditório – Após solicitação do SuperFC, o porta-voz da Fifa explicou, em nota, que o spray não está regulamentado e, por isso, o uso do produto é de livre concorrência. “Até o momento, não há um processo de licenciamento nem um regulamento definido para esses sprays ou equipamentos similares. Atualmente, cada organizador de competição tem livre escolha e não precisa, necessariamente, optar por uma determinada empresa ou fabricante. O processo de licenciamento desses produtos está sendo definido e regulamentado pela Internacional Football Association Board (Ifab), que vai adicionar recomendações e diretrizes às Regras do Jogo e determinar quais produtos serão permitidos para uso”.